quarta-feira, 18 de abril de 2012

E o mito do spread bancário se desfez

Quando o governo federal anunciou a intenção de oferecer taxas de juros mais baixas, fazendo um corte radical nas mesmas em seus bancos estatais BB e CEF, a imprensa fez um alarde enorme, acusando o governo de estar sendo populista, pois as taxas de juros 'não se sustentariam a estes valores tão baixos'.

Dirigentes dos grandes bancos começaram a soltar declarações na imprensa dizendo, dentre outras coisas, frases como 'Para ter cortes era preciso reduzir os impostos que os bancos pagam', diziam também que que os bancos públicos iriam ter prejuízo e seriam socorridos com dinheiros dos impostos.Alguns articulistas tentaram até atribuir ao próprio povo brasileiro a culpa pelo provável fracasso, dizendo que que não iria dar certo porque o "brasileiro era preguiçoso para mudar de banco".

A decisão do governo foi sábia: claramente existia um cartel formado entre os bancos e optou-se por não mais fazer parte dele. Não houve intervenção federal, tão pouco um 'acordo' com os bancos, dando-lhes algum benefício. O mercado simplesmente cuidou de mostrar aos bancos que o jogo agora é outro.

E o principal sinal de que a medida do governo foi acertada é a adesão gradual de bancos como Santander, HSBC e Bradesco (O Itaú anunciou adesão a esta prática enquanto este texto estava sendo escrito), desmentindo estas palavras que jornais como Estadão, Folha de S Paulo e outros apregoavam como verdades de 'mercado'. E fazem isto pois notaram que, se não o fizessem, sofreriam com uma revoada de clientes que poderia lhes causar prejuízos ainda maiores.

A adesão dos bancos privados comprova que tinha, sim, muita gordura para cortar nas taxas abusivas, sem deixarem de ser muito lucrativos, e sem precisar de nenhuma medida de incentivo governamental.

A título de comparação, as taxas de Juros praticadas pelos bancos hoje, 18 de abril de 2012 eram as seguintes:


Apesar desta redução ser um grande avanço, ainda falta muito para melhorar o crédito ao consumidor. A meu ver já passa da hora de se propor uma lei que proíba esta ênfase que fazem na parcela do financiamento (Coisa típica das grandes lojas de eletrodomésticos e das revendas de automóveis hoje em dia). A divulgação desta maneira cria uma ilusão de que se pode comprar o bem, iludindo o comprador. Resta esperar para ver o desenrolar dos fatos.