quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Lembranças da crise

Segue mais um artigo escrito pelo meu amigo Lincoln Pinheiro Costa:



Lembranças da Crise

No auge da crise financeira internacional, por ocasião da quebra do Lehman Brothers, conversava eu com o pai de uma colega de minha filha, executivo de um banco que atua no chamado middle market.
Disse-me ele:
- Lincoln, estamos cheios de liquidez, mas não estamos emprestando para ninguém, estamos apenas recebendo as prestações dos empréstimos que fizemos antes da crise. Os empresários do setor produtivo vêm nos pedir empréstimos, mas negamos. Não queremos emprestar, apenas receber.
Quem manteve a roda da economia girando durante a crise foram os bancos públicos: Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste e BNDES, que continuaram fornecendo crédito.
Já imaginaram se esses bancos tivessem sido privatizados, como era o desejo de alguns? Como enfrentaríamos a crise?
Não existe capitalismo sem crédito. Nenhuma empresa mantém suas atividades se não tiver acesso ao crédito.
Se você leitor, que me lê neste momento, trabalha no setor privado, a exemplo de meu amigo Paulo Henrique, o PH, a quem dedico este artigo, preste atenção!
Caso a empresa onde você trabalha fique sem acesso ao crédito, o seu patrão não vai vender os carros de luxo que possui, não vai deixar de fazer viagens internacionais e nem mesmo vai deixar de beber uísque para preservar o seu emprego. O primeiro custo que ele vai cortar é o seu salário. Sua cabeça, leitor, será a primeira a rolar.
Quem não conhece - ou pelo menos já ouviu falar - de algum engenheiro que tenha ficado desempregado nos anos 90 e que tenha ido fazer concurso público?


Lincoln Pinheiro Costa é Juiz Federal em Belo Horizonte e ex-Procurador da Fazenda Nacional em Salvador. É graduado pela Faculdade de Direito do Largo de São Francisco (USP) e MBA em Direito da Economia e da Empresa pela FGV. É membro do Instituto San Tiago Dantas de Direito e Economia. 


http://twitter.com/lincolnpinheiro