segunda-feira, 8 de novembro de 2010

As críticas exageradas ao ENEM

Neste fim de Semana se realizou o ENEM, edição 2010. Em 2009, quando se deu início ao novo ENEM, Eu considerei este ter sido um passo ambicioso dado pelo MEC, através do INEP, pois estava propiciando uma maneira uniforme de se medir conhecimento. O ENEM estava ganhando um status completo Exame de proficiência, não era mais apenas uma forma de se medir qualidade do ensino. Um sonho meu se tornara realidade: A Teoria de Resposta ao Item (TRI) seria aplicada em um exame brasileiro em grande escala.

Um exame de proficiência pode ser definido como um conjunto de ferramentas que buscam medir as diversas habilidades dos avaliados. Via de regra, uma nota maior implica que o avaliado possui algumas características “melhores” que os avaliados com notas inferiores. Neste aspecto de medição que entra a TRI.

No aspecto de TRI, o professor Jean Piton (UFSCar) publicou em seu blog um artigo explicando para os quase leigos, detalhes de como funciona esta teoria. Este artigo pode ser consultado aqui: http://jpiton.blogspot.com/2009/05/teoria-de-resposta-ao-item-e-o-novo_9153.html

Somando a teoria e os profissionais envolvidos, acredito que o mesmo esteja bem firme nestes quesitos. Mas um exame não é composto somente de elaboração, existe toda a fase de aplicação e correção. Problemas que são minimizados pela própria maneira de se pensar o exame e é justamente aí que entra a TRI, pois se algo der errado, esta teoria me garante uma futura aplicação do exame apenas à parte prejudicada por falhas nos demais aspectos.

Aí, em 10 de agosto de 2010, o INEP divulga que houveram pouco mais de 4,6 milhões de inscritos para a edição 2010 do ENEM. (4.611.441 inscritos, fonte: http://www.inep.gov.br/imprensa/noticias/enem/news10_19.htm)

Quem já trabalhou com este tipo de exame (eu o fiz no próprio MEC em um exame de pequeno porte, o CELPE/BRAS) sabe as dificuldades enormes que existem em termos de logística. Estas dificuldades vão desde a impressão, passam pelo transporte, distribuição, etc.. Problemas nestas áreas, muitos descobrem no momento que ocorrem. Isso viraria um prato cheio para quem tem como esporte predileto, falar mal de qualquer coisa, seja ela de onde venha.

Hoje, ao acompanhar os noticiários pela TV ou acompanhando repercussões via redes sociais, noto as repercussões, um clima de terror sem motivo, causado por atrasos, provas defeituosas, gabaritos defeituosos e outras coisas do gênero.

Ora vejamos: Se a teoria garante a aplicação dos exames em nova data sem prejuízo aos demais candidatos, onde está o motivo de tanto carnaval? Faz sentido condenar os maiores especialistas brasileiros (E alguns dos maiores do mundo) neste quesito por pura vontade de se fazer confusão? Quais são os interesses por trás disso tudo afinal?

Pensem nisso.

Atualizando com notas no site do MEC sobre o ocorrido:

Teoria de resposta ao item permite prova em outra data
MEC vai esclarecer sobre TRI à Justiça Federal do Ceará